Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Texto 4

O papel da linguagem
           
47. Para além do dito e do pensado,
      está o Ser, o qual subsiste por si mesmo,
      connosco, sem nós ou apesar de nós,
      antes, durante e depois de tudo.
 
48. Se se romper o laço que o liga à realidade,
      o discurso perde o fundamento ontológico
      que é justamente a medida do seu valor.
 
49. São as coisas que determinam as palavras e não o contrário.
      Um texto desvinculado da sua referência ao real
      reverte num chocalhar ou num tilintar
      de frases artificiais e inúteis.
     
50. Um discurso que não se limite a reproduzir a realidade, escamoteia-a:
      importa o que parece; o referente torna-se oco; a ilusão espreita.
      Prospera o verbalismo pedante; reinam as aparências;
      confunde-se o verdadeiro com o verosímil.
 
51. A eloquência, arte de seduzir auditórios,
      arma de persuasão, será salutar ou funesta,
      conforme servir a verdade ou disseminar o erro.
      A consistência do conteúdo prima sobre o culto da forma.
 
52. Sendo a linguagem instrumento de comunicação,
      cabe à palavra "dizer o Ser", reproduzindo-o fielmente.
      Caso contrário, o discurso atraiçoa o real, falseia-o,
      até negá-lo mesmo por completo. Já nada diz.
publicado por Marc Calicis às 15:41
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Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

Ano Lectivo de 2009 - 2010