Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Texto 16

Sócrates e Platão
  
225. Caberá a Sócrates (470–399 A.C.)
        refutar o Subjectivismo dos Sofistas.
 
226. O sujeito não é, de modo nenhum, a medida dos valores,
        e o modo como estes podem ser encarados em nada os altera.
 
227. Acima do desencontro das opiniões, está a Ciência,
        a contemplação das Verdades Eternas.
 
228. Os valores são independentes das coisas
        em que se manifestam.
 
229. Quando, por exemplo, uma flor murcha e deixa de ser bela,
        a Beleza em si, que é uma só, permanece intacta, igual a si própria.
        Continua de resplandecer, sempre a mesma, noutros seres da Natureza.
 
230. Platão, na esteira do seu mestre, precisará que os objectos belos
        não devem confundir-se com a Beleza absoluta,
        da qual aqueles apenas participam.
 
231. As efémeras belezas sensíveis são pálidos reflexos
        ou débeis imitações de uma mesma Beleza imperecível,
        única, real e perfeita, transcendente e inacessível, seu modelo.
 
232. Os valores são imunes à inconstância dos homens,
        que não os criam nem os podem modificar.
 
233. “O bom vinho não precisa de etiqueta”.
        O que realmente é valioso recomenda-se por si próprio.
 
234. Assim como o Sol, irradiando luz,
        se distingue da Lua, que apenas a reflecte,
        os valores objectivos ou intrínsecos valem por si mesmos.
 
235. Impõem-se pela sua presença, enquanto que os valores subjectivos,
        sejam os de um indivíduo ou de uma colectividade,
        recebem de fora um valor emprestado.
 
236. Ouvimos dizer que grassa uma crise dos valores.
        Nunca porém estiveram tão bem de saúde.
        Há apenas uma crise do homem.
        Não é a mesma coisa.
 
237. A ignorância do bem é a causa do mal, segundo Sócrates.
        Ninguém erra voluntariamente ou deseja deliberadamente a sua infelicidade.
 
238. Se, portanto, alguns procedem mal, tal não será imputável à sua maldade,
        mas à sua ignorância. Devem ser instruídos e não punidos.
 
239. Um antigo adágio parece confirmar o diagnóstico socrático:
        "Se os jovens soubessem, se os velhos pudessem".
       
240. Todo aquele que souber em que consiste a justiça, optará certamente por ela.
        Não é admissível que um homem possa, conhecendo o melhor, escolher o pior.
 
241. O conhecimento do bem implica, mais cedo ou mais tarde, a sua prática.
        A virtude é pois inseparável do saber. Age bem quem pensa bem.
        A desorientação na conduta resulta da cegueira do espírito.
publicado por Marc Calicis às 21:58
link do post | favorito

Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

Ano Lectivo de 2009 - 2010