Segunda-feira, 14 de Maio de 2007

Texto 18

O Princípio de Causalidade
 
  
256. Importa, antes de aflorarmos a Moral Aristotélica,
        definir a noção de Causa.
 
257. É tudo o que determina a existência de uma coisa ou de um acontecimento.
        É o que transforma o estado de um ser, o antecedente de um dado fenómeno.
 
258. A causa material é aquilo de que um corpo é constituído
        (ex: o mármore de uma estátua).
 
259. A causa instrumental consiste nos utensílios
        necessários à execução do projecto.
 
260. A causa eficiente é o autor da acção. No nosso exemplo, o escultor.
        Pode não ser um agente livre (ex: a onda que virou o barco).
 
261. A causa formal é o modelo a que corresponde um objecto.
        Inclui o plano que se idealizou para imprimir ou incutir na matéria,
        bem como o estilo utilizado (ex: a estátua representa Luís de Camões).
 
262. A causa final é o fim que se tem em vista ao realizar a obra.
        É a razão de ser da acção (ex: a estátua destina-se a ser vendida).
 
263. O Finalismo Universal de Aristóteles
        reconhece a acção de causas finais no Universo.
        A Natureza nada faz em vão. Todo o ser possui um fim próprio
        e desempenha funções específicas.
 
264. O cosmos é um todo orgânico, uno e coeso,
        um sistema cujas partes dependem umas das outras.
 
265. Essa harmonia preestabelecida, não podendo provir do acaso,
        reclama uma Inteligência, como tinha postulado Anaxágoras no século VIº A.C.
 
266. O princípio de causalidade enuncia-se: todo o fenómeno tem uma causa
        e, nas mesmas condições, a mesma causa produz o mesmo efeito.
 
267. Trata-se de um axioma da razão e, simultaneamente,
        de uma verdade de experiência que nos autoriza a fazer previsões.
publicado por Marc Calicis às 16:32
link do post | favorito

Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

Ano Lectivo de 2009 - 2010