Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Texto 22

Classificação dos Juízos
 
  
326. Um juízo a priori não depende da experiência.
        Versa sobre essências ideais ou formas puras.
 
327. Exemplo: "Um segmento de recta
        é a mais curta distância entre dois pontos".
 
328. As Ciências Abstractas lidam com juízos a priori, isto é,
        com enunciados universais, incondicionais e necessários.
 
329. Pelo contrário, as Ciências da Natureza, as Ciências do Homem
        e o próprio Senso Comum utilizam vulgarmente juízos a posteriori,
        os quais são contingentes e, por conseguinte,
        menos fiáveis do que os anteriores.
 
330. Um juízo a posteriori assenta em dados fornecidos pelos sentidos.
        Resulta da observação directa dos fenómenos.
        Trata-se de um enunciado de facto.  
 
331. Exemplo de um juízo que depende da experiência:
        “Algumas achas crepitam nesta lareira".
 
332. Diz-se analítica toda a proposição em que o atributo
        já se encontra contido na compreensão do sujeito.
 
333. Exemplo de um juízo analítico:
        “O losango é um paralelogramo de lados iguais.”
 
334. O juízo é analítico porque os predicados (paralelogramo + de lados iguais)
        constituem propriedades inerentes à essência do sujeito "losango".
 
335. Poderíamos também emitir a seguinte asserção:
        “O losango é uma figura geométrica com dois ângulos agudos
        e dois obtusos, opostos dois a dois e iguais entre si”.
 
336. Os predicados derivam necessariamente da natureza do sujeito.
        São extraídos a partir da análise da noção deste último,
        de modo que aqueles já estejam incluídos neste.
 
337. O predicado de um juízo analítico não acrescenta portanto nada de novo
        à compreensão do sujeito. Limita-se a tornar manifesta
        uma propriedade imanente ao próprio sujeito.
 
338. Num juízo sintético, pelo contrário, o atributo não está implícito
        na substância do sujeito e não pode, por conseguinte, ter origem nela.
 
339. Exemplo: “Esta concha é uma recordação". O predicado "uma recordação"
        acrescenta algo de verdadeiramente novo à compreensão do sujeito "concha".
 
340. Ninguém poderia efectivamente adivinhar que este objecto
        pudesse ser uma recordação para uma determinada pessoa,
        se ela mesma não no-lo tivesse confidenciado.
 
341. Num juízo sintético, por mais que examinássemos o sujeito,
        jamais chegaríamos, só mediante essa análise,
        a conhecer o respectivo predicado.
 
342. É pelo recurso à experiência ou pelo testemunho de outrem
        que poderemos conhecer, num juízo sintético, os atributos do sujeito.
 
343. Temos ainda outra classificaçao dos juízos.
        Um juízo de essência recai sobre o ser enquanto ser
        ou sobre as coisas em si. Visa a mais funda e perene realidade.
 
344. Refere-se a entidades imutáveis que transcendem a experiência.
         É de natureza lógico–matemática (ex: “O todo é maior do que a parte”)
         ou de índole metafísica (ex: “A causa primeira é incausada").
 
345. Ao invés, um juízo de existênciadescreve uma realidade não essencial.
        Versa sobre meros fenómenos, isto é, sobre tudo aquilo
        que nos é sensorial e imediatamente dado.
 
346. É verdadeiro ou falso conforme se ajusta ou não aos factos considerados.
        Não comporta apreciações valorativas e é empiricamente verificável.
        Exemplo: “Há neste cálice de moscatel um cubo de gelo”.
publicado por Marc Calicis às 21:47
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Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

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