Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

Texto 23

O Raciocínio
  
347. Um raciocínio é uma operação discursiva da razão, mediante a qual,
        de um ou vários juízos logicamente encadeados entre si,
        se extrai um juízo novo, consequente dos anteriores.
 
348. Exemplo: “Se eu estudar regularmente, serei bem sucedido”.
        Existe, entre uma proposição e outra, uma manifesta relação lógica.
 
349. O primeiro juízo (se eu estudar regularmente)
        é o antecedente da conclusão (serei bem sucedido).
 
350. Verifica-se, no exemplo apresentado, um nexo causal:
        uma causa determinada surte um certo efeito.
 
351. Neste caso concreto, operou-se uma inferência imediata,
        pois a conclusão apoia-se numa única premissa.
 
352. Mas em argumentos com duas ou mais premissas,
        a inferência é necessariamente mediata:
        alguns passos têm de ser dados
        para se chegar à conclusão.
 
353. Toda a inferência assenta efectivamente nalguns dados prévios.
        Estes são os alicerces que sustentam e legitimam a conclusão.
        Não se pode concluir seja o que for a partir do nada.
       
354. A Dedução é um modo de raciocinar
        em que se parte do geral para o particular,
        do princípio para as consequências,
        da causa para o efeito.
 
355. Um raciocínio dedutivo permite concluir rigorosamente,
        de uma ou mais proposições dadas, uma outra proposição
        que decorre daquelas necessariamente.
 
356. A dedução é profusamente utilizada nas Ciências Abstractas,
        justamente chamadas ciências dedutivas, formais e demonstrativas.
 
357. Exemplo de um argumento dedutivo:
        “Toda a virtude é digna de louvor. Logo, é louvável a temperança”.
        Neste caso, descemos do geral para o singular.
 
358. Também aqui a inferência é imediata:
        transita-se directamente da premissa para a conclusão
        sem que, entre elas, se intercale nenhuma outra proposição.
 
359. O Silogismo é um tipo clássico de inferência dedutiva mediata.
        Compõe-se de três proposições apenas: duas premissas e uma conclusão.
 
360. Cada uma das proposições encerra um sujeito e um predicado
        e, por conseguinte, dois termos.
 
361. Sendo que cada um dos termos aparece duas vezes no raciocínio silogístico,
        este relaciona ao todo, não seis termos, mas apenas três.
 
362. Exemplo: “Todas as artes são difíceis.
        A escultura é uma arte. Portanto, a escultura é difícil”.
 
363. Examinemos este silogismo. Começa por uma asserção muito geral:
        “Todas as artes são difíceis”. Esta é a primeira premissa ou Premissa Maior.
 
364. Segue-se a segunda premissa ou Premissa Menor: “A escultura é uma arte”.
        Desempenha o papel de elo de ligação entre a premissa maior e a conclusão.
 
365. Tira-se a consequência lógica das duas premissas:
        “Portanto, a escultura é difícil”. Temos agora a Conclusão.
 
366. As duas premissas são o Antecedente da conclusão.
        Esta é o Consequente das premissas. Este silogismo relaciona
        os três termos seguintes: arte – escultura – difícil.
 
367. O termo menor [escultura] é assim apelidado
        por ser, dos três, aquele que possui
        uma menor extensão.
 
368. O termo maior [difícil] traz esta denominação
        por ser, dos três, o de maior extensão.
        Pela palavra “difícil”, entenda-se:
        as coisas que são difíceis.
 
369. Temos finalmente o termo médio [arte].
        Do ponto de vista da extensão, inclui o termo menor,
        mas está por sua vez incluído no termo maior.
 
370. O termo médio tem por função
        servir de intermediário entre os termos maior e menor,
        pelo que nunca pode aparecer na conclusão.
 
371. O termo menor é sempre o sujeito da conclusão
        e o termo maior o predicado – ou atributo – da mesma.
 
372. Se a utilidade de uma dedução válida reside no seu rigor,
        exactidão e elevada fiabilidade, a Indução Amplificante
        aumenta os nossos conhecimentos.
 
373. A Indução Amplificante é uma forma de raciocínio em que se procura,
        a partir da atenta observação de alguns casos concretos e particulares,
        formular uma norma geral que explique todos os casos da mesma espécie.
  
 
374. As Ciências da Natureza são essencialmente indutivas;
       o seu "modus operandi" consiste precisamente
       em recorrer ao método experimental. 
 
375. Exemplo de um argumento indutivo:
        “O mercúrio dilata sob o efeito do calor. A prata e o ouro
        também dilatam sob o mesmo efeito, e ainda o aço, o ferro e o bronze.  
        Inferimos dos casos verificados que os metais dilatam sob o efeito do calor”.
 
376. Toda a generalização, baseada num número finito de dados empíricos,
        está sujeita a ulteriores revisões e envolve alguns riscos.
        Eventuais excepções poderão vir a invalidar a lei.
 
377. A indução amplificante deve contentar-se com inferências conjecturais.
        É por conseguinte mais contingente do que a dedução.
 
378. A indução representa um modo de elevar-se do vivido ao pensado.
        A própria formação do conceito é um processo de índole indutiva.
 
379. Muitos saberes decorrentes da experiência foram obtidos indutivamente.
        Citemos apenas um exemplo relativo ao senso comum: experiências acumuladas
        de geração em geração foram condensadas em provérbios pela sabedoria popular.
 
380. Em circunstâncias pontuais, todos os casos poderão ser observados um a um,
        antes de se emitir com segurança uma conclusão que os abranja a todos.
        Muitas vezes porém, é inviável a concretização de uma Indução Integral.
  
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publicado por Marc Calicis às 21:55
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Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

Ano Lectivo de 2009 - 2010