Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Texto 3

O Realismo
 
 
21. O Realismo é uma doutrina filosófica relativa à questão
      da Natureza do nosso Conhecimento. A seguir se expõe.
 
22. As coisas são independentes da nossa consciência.
      O ser existe fora do pensamento.
 
23. O Real nada deve ao modo como nós o representamos.
      Não é modificado pelas nossas representações.
 
24. O Ser precede as nossas ideias. A elas resiste e a elas subsiste.
      É a Realidade enquanto tal, seja ela conhecida ou não pelo homem.
      É aquilo que é e não pode deixar de ser, ou seja, a verdade ontológica.
 
25. A verdade gnoseológica é o conhecimento verdadeiro.
      Consiste na plena adequação entre o pensamento e o objecto.
      Resulta da descoberta de algo que já era. Assenta na verdade ontológica.
 
26. O sentido tradicional do vocábulo "ciência" é o seguinte:
      todo o conhecimento verdadeiro, seja qual for
      a sua proveniência ou o seu objecto.
 
27. O significado que o mesmo termo adquiriu hoje em dia
      é o de um conhecimento racional e verificável,
      expresso em leis prováveis (revisibilidade)
      e utilizando uma linguagem unívoca.
 
28. Afirmar aquilo que não é. Negar aquilo que é.
      Eis como ocorre o erro no juízo.
 
29. O objecto é irredutível à consciência. Está fora
      da esfera do sujeito. Pode ser material ou imaterial.
 
30. Não é o objecto que se aloja no interior da consciência,
      mas a sua imagem ou a sua representação.
 
31. Quando um objecto passa a ser conhecido,
      não se altera. Permanece intacta a sua natureza.
      Apenas no nosso espírito se operou uma modificação.
    
 
32. O planeta Plutão preexistia à sua descoberta.
      As suas propriedades mantêm-se iguais a si mesmas.
      Não é a Verdade que evolui, mas o nosso conhecimento da Verdade.
 
33. Os universais correspondem a algo real fora da mente.
      O Bem, por exemplo, não é apenas um conceito.
      Existe em si, como as verdades matemáticas.
      Nem tudo é real da mesma forma.
 
34. O Conhecimento pressupõe o Ser.
      Não se pode conhecer o que não existe.
 
35. As coisas persistem todavia sem ser conhecidas.
      Uma realidade não desaparece por não pensarmos nela.
 
36. Para um objecto ser conhecido, deve estar ao alcance do sujeito.
      O conhecimento exige efectivamente uma relação entre um e outro.
 
37. Os raios X são uma realidade. No entanto,
      nem os nossos sentidos nem a nossa razão os alcançam.
      É pelo testemunho de outrem que conhecemos a sua existência.
 
38. A velocidade da luz é de 300.000 kms por segundo.
      Jamais chegaríamos a descobrir isso por nós próprios.
      Sabemo-lo por um acto de fé na autoridade da ciência.
 
39. As nossas faculdades cognitivas pouco alcançam.
      A douta ignorância é o átrio do Conhecimento.
      A humildade intelectual é própria do sábio.
 
40. O que sucederia à lei da gravidade se fosse desconhecida?
      Continuaria a exercer tranquilamente os seus efeitos.
      O ser ignorada em nada afecta a sua eficácia.
 
41. Mas não são indiferentes para nós as consequências do não-saber.
      O desconhecimento da verdade não aproveita a ninguém.
      O único perdedor é o sujeito que se priva de um bem.
 
42. A ignorância torna-se culposa quando queremos ignorar
      alguma coisa que tínhamos a obrigação de saber.
      Trata-se de um acto de negligência voluntária:
      obstinamo-nos em nada querer saber.
 
43. O que devemos aprender e o que, sem dano, podemos ignorar?
      Em que indispensável instrução investir as nossas horas?
      Nem tudo interessa indagar ou saber no mesmo grau.
 
44. Há assuntos cuja ignorância não trará qualquer inconveniente.
      Beneficiaremos porventura se desconhecermos alguns,
      por serem nefastos ou simplesmente inúteis.
 
45. Mas outros há cuja ignorância acarreta grave prejuízo.
      E acautelemo-nos: se o saber não ocupa lugar, ocupa tempo.
 
46. O negarmos a existência de um ser real em nada o afecta,
      e o termos por real um objecto inexistente não o cria.
      O que é, é perenemente. O que não é, não é.
publicado por Marc Calicis às 22:29
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Marc Calicis

Licenciado em Filosofia pela U.C.P.

Vila do Conde

Ano Lectivo de 2009 - 2010